INSERÇÃO OU REINSERÇÃO SOCIAL
Autora: Rosana Monteiro
Hodiernamente,
na atual conjectura do sistema carcerário, muito se fala em reeducação ou
reinserção do preso, mas aguça-nos a dúvida, se essa palavra é usada
corretamente. Reinserir no dicionário Priberam de Lingua Portuguesa significa
introduzir de novo, ou seja, reintroduzir. Mas, como reintroduzir alguém que em
nenhum momento de sua vida, foi inserido na sociedade [?].
Pessoas que
antes de serem encarceradas viviam as margens da sociedade e por condições
diversas e adversas não se encontravam inseridas nesta, não podem ser, a partir
de um determinado momento por convicções ideológicas e políticas, ressocializadas
quando se quer entendiam ou participavam do processo de socialização no qual
estavam inseridas.
Falar em
inserção ou reinserção é algo fácil, contudo por em prática no atual sistema
burocrático, é como compor um “cubo mágico”, no qual as peças precisam se
encaixar por igual e chegar ao objetivo parece cada vez mais distante.
O atraso no processo
de socialização do apenado é fato, a educação o trabalho e assistência
religiosa no sistema penitenciário só começou a ocorrer a partir da década de
50, em vagarosos passos. Nesta época a cadeia era usada exclusivamente com o
intuito de contenção de pessoas e não existia nenhum projeto em busca da
readaptação do preso.
Socializar ou
para muitos ressocializar o preso, é um processo antes de tudo de
conscientização destes, não basta por escolas e oficinas de trabalho a disposição
dos encarcerados, pois na grande maioria das vezes, estes presos só almejam a
liberdade para voltar a seus negócios lucrativos que ficaram para trás, os
quais já estavam acostumados.
O infrator ao
infringir as leis nos mostra que ele foi violado muito antes de violar as
normas, e então oferece à sociedade aquilo que lhe sobrou, é um circulo vicioso
formado no momento em que se deu a ruptura social e ou familiar.
As escolas hoje,
presente nos presídios começam a render alguns pequenos frutos, com um numero de
presos já chegando às faculdades, outro pequeno grupo envolvendo-se em
trabalhos e se profissionalizando. Mas é preciso ir além. O presídio feminino
hoje carece de atividades profissionalizantes. E torna-se imperativo a cooperação
de instituições que busquem amparar os presos e egressos.
Não é preciso
neutralizar o individuo, realizando uma esterilização em massa como muitos
pregam. Antes, uma correta aplicação do real sentido de socializar, buscando-se
como máxima do objetivo principal do encarceramento a transformação do então
delinqüente em futuro cidadão, oportunizando-o na educação e em sua
profissionalização, traria uma resposta a sociedade mais eficaz e eficiente do
que a realidade atual.
Não se pode
olvidar que é através da educação que se alcança a socialização desde o inicio
da vida do individuo, mas quando o sistema falha o agente que infringiu as leis
precisa aprender a se socializar para só em caso de reincidências se
ressocializar. Acredito com Michael Foucault ao afirmar que “a educação do
detento é, por parte do poder público, ao mesmo tempo uma precaução indispensável
no interesse da sociedade, mas uma obrigação para com o detento.”
Minha admiração por você aumenta a cada dia e a cada postagem sua, temos muitas coisas em comum - a paixão pelo assunto escrito é uma delas. Parabéns
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