ILHA
CÁRCERE
A
prisão de Ilha Grande e o surgimento do Comando Vermelho
Por:
Rosana Monteiro
Em virtude das fortes imigrações no
período do império, o governo percebeu a necessidade de construir um local para
abrigar os portadores de doenças infectocontagiosas, que era conhecido à época,
como Lazareto.
Sua divisão interna assemelhava-se à dos
navios de imigrantes: havia um pavilhão de primeira classe, um de segunda e
outro de terceira. No complexo, além dos dormitórios,
também havia restaurantes, laboratório bacteriológico, enfermaria, farmácia e
jardins.
A ideia de prisão surgiu depois, com a
criação da Colônia Correcional de Dois Rios em 1894 e instalada oficialmente em
1903, com o objetivo de afastar da cidade os bêbados e vagabundos os chamados -
“presos comuns” que podiam pertencer a várias facções.
Ao longo de sua história a Colônia
passou por inúmeras reformas, que foram lentamente a transformando em uma
prisão de altos muros, de fuga muito difícil. Na década de 1940 passa se chamar
Colônia Penal de Dois Rios.
Conhecida por abrigar presos famosos,
como o escritor Graciliano Ramos, onde escreveu, o livro Memórias do Cárcere,
Luís Carlos prestes, Agildo Barata, escritor Nelson Rodrigues dentre outros. A
prisão de ilha grande tornou-se conhecida pelas duras penas aplicadas, com
cenas de torturas e barbáries.
Foi nesse instituto penal, considerado
de “segurança máxima”, que nasceu o Comando Vermelho, em 1979. A partir do
convívio entre presos políticos e assaltantes de bancos, algumas facções
criminosas passaram a se organizar de forma a se fortalecerem internamente e,
em seguida, alcançar maior visibilidade e poder, iniciando uma nova página na
construção da violência urbana. Seis anos depois, em 1985, foi realizada a mais
espetacular fuga da Ilha Grande: José Carlos Encina, conhecido como
“Escadinha”, líder do Comando Vermelho, conseguiu fugir do presídio em um
helicóptero.
O presídio Candido Mendes,
estava dominado por várias facções dentre elas as falanges do Jacarezinho,
Falange da Coréia, Falange da Zona Sul,
foi quando se instaurou a Falange Vermelha, com o lema “Paz, Justiça e
Liberdade” e institucionalizou o mito das organizações criminosas no tráfico do
Rio. Os principais fundadores foram Willians da Silva Lima, o
"Professor", Paulo César Chaves e Eucanã de Azevedo.
Dados históricos demonstram
que a falange vermelha, surgiu para controlar o poder da falange do Jacaré que
cometia violência sexual contra os parentes dos presos, dentre outros fatos,
tornando-se nacionalmente conhecida como Comando Vermelho.
Desativada em 1994, a
instituição foi transformada no Museu do Cárcere, que ocupa as quatro salas
remanescentes da antiga Colônia Penal Cândido Mendes, em parte demolida.
Bibliografia:
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