Ressocialização- O Calcanhar de Aquiles do Estado Democrático de Direito

Ressocialização
O Calcanhar de Aquiles do Estado Democrático de Direito
Por: Rosana Monteiro*

A atual conjectura do sistema carcerário brasileiro, que não tem cumprido sua função precípua de reinserir na sociedade o indivíduo apenado transformado, não nos permite imaginar que vivemos em uma crise, uma vez que o conceito de crise, de acordo com o dicionário informal de língua  Portuguesa, denota o sentido de transição entre período de prosperidade para uma depressão, o que não se configura em momento algum da história do sistema carcerário brasileiro, que vive uma quadro de falência, frente a inércia do Estado e uma Lei de execução penal devoluta.
Entende-se que Ressocializar é tornar o indivíduo delituoso apto e produtivo para o retorno ao convívio em sociedade. Individuo este, que está limitado apenas no seu direito de ir e vir devendo todos os demais direitos permanecerem protegidos. Nesse interim, há que se falar em um atraso no processo de socialização do apenado no Brasil.
 A estrutura penitenciária nos apresentada hodiernamente tem sido o “Calcanhar de Aquiles” da segurança pública e de toda sociedade brasileira, um cenário de superlotação, celas em condições insalubres, carência de oficinas para o trabalho, parcos investimentos nos estudos, excesso de tempo ocioso, diversidade e crescimento de facções, déficit de trabalho humano, cooperam ainda mais para corrupção do caráter, constantes fugas e rebeliões nas prisões coadunam para elevar a reincidência e não a ressocialização do preso.
O problema que temos entre nós não é filosófico, mas de ordem jurídica e política; Jurídica, quando não se cumpre o disposto na Lei de Execução Penal, que é belíssima, porém na prática não é aplicada, arraigando no indivíduo que se beneficiaria dela um sentimento de injustiça e ira; E  Política no sentido em que o Estado não investe em educação, saúde e  menos ainda em presídios,  transformando o cumprimento da pena em um círculo vicioso, no qual a reincidência é o maior saldo negro para a sociedade.
A prisão moderna, supostamente não traz castigo ao corpo, porém hoje, existem várias formas de castigar o corpo e o que é pior a mente. Nesse momento é preciso que a sociedade, acalme o espirito que paira entendendo ser o cárcere a solução dos problemas, pois este no atual momento, só nos remonta a uma falsa impressão de segurança, porém o apenado que não foi tratado devidamente, e ainda foi ativado a um comportamento pior retornará ao convívio social e certamente especializado para praticar mais crimes. Mais que ecoar gritos de impunidade é preciso cantar palavras de ordem, como transformação e humanidade.
* Rosanaildes Silva Monteiro, Pós graduanda em Ciências Criminais pela UCAM/RJ, Pós Graduada em Gestão de Pessoas (UNEB/BA);  Graduada em Direito (Faculdade Estácio FIB/BA), Graduada em Ciências Econômica (Faculdade Católica de Ciências Econômica da Bahia); Coordenadora do Projeto de Ressocialização (Associação Plenitude do Amor-APA)




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