Rosana Prazeres
26
de fevereiro de 2020
Carnaval: o outro lado.
Reflexão sobre o carnaval
O carnaval é uma
época de alegria, irreverência e múltiplas facetas e personalidades, o colorido
faz parte da festa, o proibido da lugar ao permitido, as tristezas do dia a
dia, cedem lugar para as palmas e a felicidade contagia. Nessa época os
problemas se vão quase que como em um passe de mágica, afinal carnaval também é
magia.
Contudo, o que
verdadeiramente chama a atenção é aquilo que ninguém ver, e na verdade, nessa
época pouco importa, o número de acidentes de trânsitos que aumentam
significativamente, as doenças que são contraídas, as lesões e marcas no corpo,
e as vidas que são ceifadas fora do circuito carnavalesco, mas é claro como o
sol , que não tem nenhuma associação com o festejo momesco, afinal, mortes
acontecem todos os dias, e isso é fato
comum ao cotidiano da sociedade.
E o que dizer dos
ambulantes, cordeiros, vendedores avulsos que aparecem no circuito vendendo seus quitutes e lutam para
sobreviver em mais um dia em meio a algazarra e folia, esses fazem parte dos
blocos dos esquecidos, cada um com suas alegorias. Tem o bloco dos que vendem e
tem prejuízos ao invés de resultados, tem o bloco dos que não tem dignidade, dormem no chão do
circuito, não tomam banho, salvo se tiver dinheiro para pagar, tem também os
que tem seus materiais destruídos em meio à confusão generalizada que se forma na
passagem dos trios elétricos, tem o bloco que puxa as cordas, esses não
poderiam faltar na folia, de tanto organizar acabam por ter que se organizarem após a festa para lutar pelo
recebimento do quinhão prometido.
E por óbvio, não
posso deixar de citar o bloco dos desordeiros, aquele que tem realmente uma
fantasia diferenciada, por onde passa leva desordem, violência e destruição,
parece uma praga de gafanhotos. Mas tudo bem, afinal é carnaval, e tudo pode.
Alto lá! Nem tudo
pode. Esse foi o maior alerta e o tema do carnaval “ Não a importunação a
mulher”, espero que tal campanha, vá muito além da festa.
E como vamos
falar de respeito, seria bom, aprender a respeitar o trabalhador de farda,
aquele bloco que faz a segurança da sociedade e a defende da tão animada turma
que “vai na paz” no carnaval, Esse é o bloco do “tem que cumprir ordens” , que
ora deve atuar de forma enérgica, e em outras, deve se manter distante, quase
que somente para observar, seja como for, no final serão os únicos que cometem
excessos na folia, justamente eles, que
trabalham em condições insalubres, muitos,
longe de suas famílias e terra natal, com um alimento risível sem nenhum
teor proteico, exposto ao sol e a chuva, trabalhando em plantões impensado pela
galera da alegria, e no final de tudo,
sair como se um “bunda mole fosse”, mas é carnaval.
No balanço final
do festejo carnavalesco o que importa mesmo é o que será divulgado, que a festa
foi linda e ano que vem tem mais, o certo virou errado e vice-versa, pois tudo
é uma grande brincadeira, afinal isso é carnaval.
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